Santa Arinda: três anos sem ver a luz

Uma fogueira é a luz mais próxima que eles têm.  Parafraseando a cegueira branca do escritor José Saramago, em “Ensaio sobre a Cegueira”, o que podemos ver quando chegamos à comunidade de Pontal de Santa Arinda, por volta das 18h, são apenas sombras e vultos das pessoas conversando para passar o tempo, no escuro. As mais de 270 famílias aguardam para voltarem as suas atividades normais de um dia (e noite) comum: abrir a geladeira, assistir um jornal na TV, fazer uma pesquisa na internet e o simples ato de acender as luzes, que estão apagadas há três anos.

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Moradores da comunidade Pontal de Santa Arinda estão sem energia há mais de três anos. Foto: Hamilton Garcia

Só para você entender como começou essa história, em outubro de 2014, as ligações clandestinas dos moradores foram cortadas mediante decisão judicial que determina a desocupação com indenização e implantação de um parque municipal seguindo ação do Ministério Público Estadual. Então a comunidade é uma invasão? É aí que você se engana. Todos os moradores compraram seus lotes na planta, de uma imobiliária, e pagam seus IPTUS em dia.

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Entre sombras e luzes de uma fogueira, moradores conversam para passar o tempo. Foto: Hamilton Garcia

Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em maio do ano passado, havia reacendido a esperança da comunidade em Nova Guarapari. Novamente frustrada pelo não cumprimento dos acordos. O atual presidente da Associação de Moradores, Adriano Carnetti, contou que o TAC não foi acatado pelo juiz e que agora a comunidade permanece de mão e pés atados.

“Ele não foi colocado no processo que temos hoje. Da forma que foi feito o Juiz nem sancionou e não valeu de nada. Estamos aguardando apoio político para que a nossa situação seja resolvida. Vamos ter que retomar toda a nossa conversa do zero. Fazemos um apelo para a Prefeitura Municipal que nos ajudem de alguma forma a resolver a nossa situação. Vários vereadores estiveram aqui nos prometendo, aguardamos que eles olhem para a gente de verdade”, apelou.

Eles driblam a escuridão com a criatividade

Algumas pessoas usam energia solar, bateria de caminhão que carrega no carro o dia inteiro outros fazem ligações clandestinas, pois não têm outra opção, e há quem gaste uma fortuna comprando vela.

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Lucileia Teixeira Silva e suas quatro filhas “a luz de velas”. Foto: Hamilton Garcia.

É o caso da moradora Lucileia Teixeira Silva. Há um ano ela contou a sua história para o Folha da Cidade. De lá para cá, pouca coisa mudou, e a iluminação continua “a luz de velas”. “Hoje continua a mesma coisa, tá difícil porque às vezes temos energia e outras vezes não. Tenho quatro filhas e até hoje não nos acostumamos com essa situação. O computador está ali parado, a televisão fica na parede de enfeite. Quando minhas filhas precisam fazer trabalho de escola, temos que pagar por acesso a internet. Dentro dessas dificuldades a falta de energia complica tudo”.

Usando um gerador, Milton Thiago, ex-presidente da associação espera ver essa situação resolvida. “Acreditamos que o prefeito atual vai nos ajudar, porque a esperança já está se esgotando. Ninguém aqui é invasor, não queremos favela, só queremos montar um bairro digno de morar. São pessoas de bem, honestas que habitam aqui. Só queremos nossos direitos básicos, não sabíamos que era tão difícil receber água e luz”, disse o Sr. Milton.

O que diz a prefeitura?

A Prefeitura Municipal de Guarapari disse que ainda aguarda a perícia que está sendo realizada no local para identificar o que é área de Preservação Ambiental Permenante (APP). O estudo está sendo feito por um Instituto de Perícia localizado em Vitória.

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“É um absurdo, eu já paguei o IPTU de 2017. Tudo pago, não devo nada. Mas os meus direitos não foram concedidos. Vivo nessa escuridão há nove anos. Quando será que vamos finalmente ver a luz?”, reclamou o morador, João Tavares de Oliveira.

 

 

 

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“A gente olha para trás e vê o condomínio todo iluminado, clarinho, como dá para ver daqui agora, e a gente sem luz. É um descaso. Me sinto completamente humilhada”, disse a moradora Sidneia Costa.

 

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